terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

GESTAÇÃO


Gestação

Ando construindo concreto
do abstrato
para atingir o simples
amassando traço
usando a em-pena-deira
no lugar da caneta
meio transpirante
fiquei sabendo tanto
mas tanto
que jorrei até água do meu pranto
e por tormentas e lamas
puro dos pés à cabeça
pari um poema sorrindo
uma criança
Marlene Vieira Perez - MPerez
em 07/08/13

Marlene lambendo as crias à Manezinha



quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

LUTO VIVO




LUTO VIVO

Cada noite a morte se avizinha
menos um dia
a arritmia na calada calma
de dedos cruzados
adentra ansiosa
no silêncio a cova
coruja aos pios
por ti suspira
esquecido  no mangue
invadido pelos cães farejadores
inimigos travestidos
não te iludas
tua sina se aproxima
sairão todos de guarda-chuva
óculos negros
horrendos viúvos alegres
e tu o extinto, sabes o que é isto?
com outra grife marca fantasia firma
remédio genuíno genérico tamanho família
para pagar às tuas custas
todas as drogas de vidas dissolutas e frívolas
a roda-moinho te engole vivo
jiboia cuidadora
será teu novo inquilino
não dorme no ponto morto
estão de olho na tua coberta
liberta a tua alma escrava coitada
sempre em vigília assustada
porque cada noite é a morte aos poucos
para todos
gargalha em vida
inverte o quadro
tu o fantasma macabro
e eu?
- s'il vous plaît,
vous voulez danser
avec moi la dernière?

Marlene Vieira Perez - MPerez - 24/05/2011

MIMOS




MIMOS

Não me tirem as cartas de amor do arquivo,
as fotos das estantes
minha imagem do espelho
precisamos ver juntos
o tempo passar com registros
Celebremos de pé
os reencontros furtivos
que fiquem no mesmo lugar
todos os mimos
roídos...

Marlene Vieira Perez - MPerez - 18/04/2011