domingo, 25 de junho de 2017

           
               LONGA VIAGEM

Cheguei, vim de uma longa viagem de 80 anos, eu me lembro da         festinha meio gorada...
Vejamos o que me ficou na cachola:

O meu bolinho foi simplesinho
          A vela da velha se perdeu no caminho. Ficaram apenas quatro gravetinhos apagadinhos, só um acendeu sozinho.
          Assoprei rapidinho
          Estufei a bochecha como um balãozinho
          Nunca tive festinha de aniversário quando criança
          Babava na janela olhando a vela acesa da menina feliz
          Cresci de repente e me perguntei:
          Por onde andavam os 79 gravetos da minha fogueira
ainda acesa?
         Sem gargalhadas em sinal de respeito, me benzo, morreram num acidente de percurso.
         E eu não vi, não senti
         e me deixaram aqui tão arcada
         a sorrir pelas madrugadas
         sem amigos, sem família, sem vizinhos
         todos estão ao telefone
         e eu ainda com mania de flores
         me perdi no jardim...
         Saudades da secretária eletrônica
dos meninos no quintal...
          Foram embora, senhora!
          Então fiz um único pedido àquela velinha:
          Que voltem os meus meninos
          aqueles santinhos endiabrados
          quebrando os cristais e colocando fogo nos armários...
          Já estou com 81 anos e eles não voltaram...


          MPerez - em 7/1/17 - Rio das Ostras - Rio de Janeiro.
https://www.youtube.com/watch?v=wtrVrsIAkDQ&t=1578

sábado, 17 de junho de 2017


Em Festaaa!
Ah, Amigos!
Hoje fiz uma festa
recebi uma festa
Estou toda em festa
Sou a própria festa
e sem trégua
vou permanecer em festa
com vocês no caminho
refazendo meu ninho
para voar ainda em festa
bem alto
como um passarinho
MPerez – em 09/10/15

Rio das Ostras, RJ 

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Recordando o passado e voltando ao Dia das Crianças



No dia das crianças penso, em Nossa Senhora Aparecida, nas eleições que podem levar o país de volta para o IMPERIALISMO, na primavera sem chuva matando as minhas plantinhas... nas crianças grudadas na eletrônica dos vídeos games, nas famílias separadas, nos famintos ainda por muitas coisas essenciais como LAR e AMOR, nos brinquedos envenenados e na ingenuidade do nosso povo que vive se intoxicando de cesta básica e cerveja, churrasco de costela, se esquecendo do dono das costelas, que morre covardemente para ser devorado todos os dias por nossa fome de sangue e carne para festejar tudo, inclusive o dia da pobre criança e da Santa que só queria que todos se amassem com um olhar pro ALTO. Perdoa SENHOR, mesmo que eles saibam o que estão fazendo e torna nossas crianças novamente felizes mesmo sem motivos...

MPerez - em 12/10/14 - Rio das Ostras - RJ

sábado, 15 de agosto de 2015





ÀS CEGAS

pelas calçadas eu nunca soube pra onde 
de olhos abertos ou fechados estava sendo levada
e me achava cavando passagens
caminhos virgens abrindo florindo 
murchando e sangrando nas pedras
desencontrando-me ferida, 
sem saber pra onde ir
chegava sarada curada
num milagre 
tudo sempre no absurdo no acaso
nasci sem ser desejada 
me casei por uma dúvida jamais lúcida
tive filhos como uma virgem Maria abismada
sem participar de nada
amei aquelas crias como se fossem minhas
e por uns anos vivi deslumbrada
estudei sem saber por que e para que batalhei
por onde a vida me levou fui de olhos fechados
à espera de ser alguém sem querer ser nada
muito mas muito mesmo engraçado
talvez às claras serei em uma próxima e última aventura
com seriedade planejada..






















                                                                             MPerez - 15/08/15

quinta-feira, 18 de junho de 2015









Que loucura ! 

Leio todos os livros
Passeando o meu espírito
Pelas estantes
De cada cosmo
Me inundo e me iludo
Me dispo e cobiço
Subo e me atrevo nas alturas
Que loucura
Arrisco e me agrido
Abro as entranhas sem pudor
E sem pensar na dor
Me rasgo
E me afogo calada
E mais nada...


MPerez – em 18/06/15 – Rio das Ostras - RJ

quinta-feira, 11 de junho de 2015

A VELHA ARARA



era uma vez..?
Era uma vez um sabiá encantado,
um príncipe no passado
- Um pássaro no presente?
- Talvez.
De voz maviosa, sensual e estranha,
mágica e humana.
Profunda como o silêncio e penumbra
sacra e viril
divina e devassa.
Quase praga, epidêmica
o inconsciente vibra
paralisa
circuitos na espinha
incêndio à vista
o olhar dourado hipnótico e quente como lava
armado de sorrisos
aprisiona e cala a velha arara
- Água, água, implora a ave.
O príncipe-pássaro examina a rara caça
fingindo compromisso ecológico nega:
- Esta água está poluída para araras azuis em extinção...
Sem moral da história ?


MPerez - 11/06/15 - Rio das Ostras - RJ