... de professora
- Eu deixo o seu jardim
num brinco
- de princesa? Risos...
- Sou paisagista, formado
faço até planta, projeto, arquiteto
tudo certo: começo, meio, fim...
- Sou viúva, moço, aposentada de professora,
pensão do marido congelada, não tenho grana,carrego pedra do riozinho do vizinho toda rolicinha..., Dr.Tabajara, advogado que já brigou muito comigo, mas eu não ligo, grama do pasto, olho de boneca do morro,
bromélia, samambaia, palmeira, cada planta e depois moço,
jardim não se acaba, é como mortalha, sai no grito
do improviso como verso atravessado que explode e...fica sempre no provisório, meio dentadura de pobre, medida política...
- Mas então é na base da sacanagem...
- Pensando bem, realmente o meu jardim é muito sacana, meio Macunaíma, preguiçoso, se espreguiça na sombra, no sol, mata piolho, não tem praga nem olho grande... muito comigo-ninguém-pode... não precisa de diploma, é romântico, na base do deixa cair
a semente do vento, do passarinho...tudo do mato bonito, só cuidar pra não invadir, vai florindo todo colorido como o arco-íris caído, as rolinhas ciscando bichinhos.... Carrego meu jardim nas minhas andanças e sem plantas, tipo ambulante, na cabeça, bastou pisar no chão ele brota
do coração. Preciso ainda dizer que o meu jardim é muito vivo?
MPerez - 01/06/14 - Rio das Ostras
segunda-feira, 2 de junho de 2014
quinta-feira, 29 de maio de 2014
domingo, 18 de maio de 2014
LUCRÉCIA – MITO
"Nunca se esqueça"
LUCRÉCIA – MITO
Homenagem a uma Profª de Teoria Literária.
Lucrécia –
Sorriso
sem óculos
míope
de olhos
sensíveis
Lucrécia,
parada inédita
numa obra
Aberta
sem motivos
visíveis
Lucrécia –
cega
vagando
dentro da minha poética
Verso inverso
preso
Lanterna –
latente
latejando
método
Objetiva
perdida
Sem pilha
sem foco
de lentes
submarinas
Lucrécia –
Símbolo
da fantasia
Dançarina
virgem
Sereia
surrealista
Mito da
justiça
Melodia
noturna
Meia-lua
Sonho de
véspera
Esperança de
poeta
Mentira de
verdade
Poesia
assassina
Lucrécia –
Sagrada
Teoria fantástica
Toda Ah da
minha Arte
Toda pinta do
meu sete
Toda S S S S
S S S S S S
Década de 80 - Marlene Vieira Perez - MPerez
sábado, 10 de maio de 2014
DIA DAS MÃES
de amor-perfeito
saudade quase concreta
para aliviar as almas
de todas as mães
solitárias e poetas
que sofrem sempre
na discreta caserna
e choram em silêncio...
II - Observação
Todas as mães que amam
nasceram poetas!
III - Seus filhos?
Embalados poemas-objeto
dispersos pela vida em versos!
Feliz
dia das mães!!!
MPerez - em 09/05/14 - Rio das Ostras - RJ
quinta-feira, 1 de maio de 2014
Diário de Classe
(Homenagem ao Dia do trabalho)
(Homenagem ao Dia do trabalho)
Ana cabisbaixa e manca se
dirigia para o ponto de ônibus carregada de livros, pastas, apostilas. Mais um
dia. Como sempre fazia o balanço da sua vida, lembrava-se da época em que os
filhos eram pequenos e que torcia para crescerem. Mais um dia...O ônibus chegou
lotado. Conseguiu entrar tropeçando. Nem sombra de lugar. Será que teria alguma
coisa na geladeira para comer quando chegasse em casa?! Laranja talvez, era a
salvação. Os passageiros, todos mártires e assustadores escravos de salários,
sem dormirem há séculos quem sabe...salvos de avalanches intermitentes.
Cantarolou mentalmente a Travessia de Milton Nascimento “Meu caminho é de pedra
como posso sonhar”. Desceu no ponto errado e dirigiu-se às pressas para casa
olhando pra trás e em
volta. Subiu o morrinho da sua rua. Puxa vida, havia sempre
um morro pra escalar desde que se conhecia por gente. Rua escura. Abriu o
portão e fechou rápido. Suspirou. Quando entrou no quarto livre da carga, atirou-se
na cama. Precisava tomar um banho. Não, amanhã cedo. Ligou a TV. Não tinha mais
nada. Era muito tarde. Que fome, meu Deus! Levantou-se cambaleando e voltou com
a bacia de inox cheia de laranja e uma faquinha. Odiava descascar laranja.
Olhou pro pôster de Elis Regina: é pau, é pedra...Amanhã precisava enviar
dinheiro para o Henrique. O especial Banespa já estava no osso. Pagar a
prestação da casa, o telefone. A sexta ainda estava longe. Sábado limpar a
casa, corrigir prova e domingo ir à feira, cozinhar pra semana e lavar roupa.
Comeu as laranjas com bagaço e tudo e tentou dormir. Bem que podia terminar
aquele poema. Qual? “Uma questão de poética” pro concurso de poesia falada.
Perdeu o sono. A caneta! A caneta? A eterna caneta, bastou querer some. – Achei!
Pegou do caderno ensebado e começou a rascunhar. Estava muito bom, mas longo.
Será que psicografava? Seu pai dizia sempre: essa menina tem guia! Não era
cega. A colega espírita Jandira sempre insinuava quando lhe mostrava algum
escrito: isto deve ser do Garcia Lorca, do Cruz e Souza e até do Fernando
Pessoa, conforme o texto. Será? Não, era ela mesma. Imagine se encarnava todo
aquele batalhão de gênios. Naturalmente deviam falar que aqueles poetas também
psicografavam. É duro ser de carne e osso!
Entrou
de madrugada e saiu de madrugada. Minha nossa! Será que valia a pena. Todo
aquele sacrifício?! Tinha chegado atrasada e levara uma bolinha vermelha na 1a
aula (depender de ônibus não era fácil), mas foi dar a aula com prazer porque
os alunos a esperavam ansiosos, adultos e conscientes, afinal era uma famosa
Escola Técnica, o Cei Prof. Camargo Aranha, lá no Brás. O pior era agüentar as
brigas do marido lhe cobrando horário, almoço, janta, dignidade de mulher
casada. Quase 15 anos em S.P. e ainda não conhecia nem o Municipal. Ainda bem
que estava no fim de ano! Herinque ia se formar,sentiu um calafrio. O dinheiro?
Não enviei o dinheiro!!? Iria arranjar um empréstimo pela Prefeitura lá no
Carandiru! Perigoso. Mataria as aulas da tarde. Mas seria a glória, tinha
conseguido, ia formar o filho do meio, o primeiro em medicina. Edgar já estava
formado em engenharia e Alcides, o mais moço, também fazia medicina. Não teria
tempo nem dinheiro para fazer um vestido novo, mas iria com o da missa, aquele nosso
velho conhecido, o caipira estampado da missa que já usara na formatura do
Edgar. Seria uma vergonha, mas iria de qualquer jeito. O importante seria sua
presença. Conquista dela e do filho. Esta história merece um acabamento, prometo
voltar em 2015 com o segundo capítulo desta novela de uma operária brasileira
das letras.
MPerez - texto criado na década de 70 e publicado hoje em 1° de maio de 2014 - Rio das Ostras - RJ
Comentário: O pior é que não mudou nada...
domingo, 27 de abril de 2014
quinta-feira, 24 de abril de 2014
O AZULAR DO TRIO EFEMERÓPTERO
(Homenagem aos meus três filhos)
O AZULAR DO TRIO EFEMERÓPTERO
(En-lu-ta-dah-PIPA X DEMO ! – Ganha? –
Recorde ibope)
Meninos
planos
aéreos
sonhos
plenos
Sono menino
esférico
giratório
fecha os olhos
Meninos belos
da tômbola
mesa
luz redonda
surpresa
Meninos
brancos do balanço
um, dois
azul deu, três
Meio dia
coro aberto
inaugura a orquestra
meio de vida
eclode o eco
seis acordes explodem
a dois por três retinas
acedem
a clave implacável trina
arde
ilumina o sol de uma pauta
notável
melodia
ao fundo vai fechando o coro
num longo sono
adormece vazia a PIPA
acorda longe
linha aonde (?)
bateria (?)
ao vento um balão de meninos
(?)
subia, subia
A-SSU-BIA-IA-IA
consumida
enovelando-se
na trama
penosa
perdida
por um fio
desmaia esquecida
em taquaras de areia fina
da praia
varrida
delira
PIPA!
Mini-ni-n-h-o-s !?
u-m !?
A M
O O H H H
S
a-s o h!
a-m-a-m-n-o-s o
h s ã
ã ã Ã ? ! !
a
n
ah
ma-ma-ma-ma-ma-ma-ma-R ãh? ! ! !
AL ?
CA h
h? AC
C-A-CA-B-A-BA h h h
Ai
i i
Bi
b i
a Aa i
Ai !
O pesadelo
passou
a coleta
do lixo da vida
a liberta
Soltou-se PIPA LEVE-M
a PRENDA-M
de-u-s-a-pare-ce-h u
o caminho
o balão de meninos
confundiu-se
de-mo oh!
da-ma lixo?
!
/ASAH ?/ Pó-dada ! ?
n-a-v-e nada ? Ave !
Ga-ga-h!
Flor-esta-eh de Touro? PA-PA-GA-YO ? ? ! Já- jamais ! ?
EPÍLOGO ! !
Alegoria
científica
linha
de
consciência
sem rabo
a
Pipa bate
as s
a
brancas
passagens
coloridas
ab- sol-
vidas
R – astro
A – final
Céu azu - L - AR
Pandorga lúcida
Grávida de luz
três meninos homens
a-portavam no sul
Uma linha infinita soltou-se
do Azul
Os meninos grandes
sorriam míopes, míopes
_____um meteorito, um
meteorito
por um fio____
Deslumbrados seguravam firme
desistiram cansados
O trio efemeróptero
seguro
tranqüilo
da guia
seguia uma trilha
azu-l-ar-AR
O meteorito livre
não caía mais
LA-R-I-R-I-LA-LA-LAH
cantava grosso o coro
e chutava um balão roto.
Marlene Vieira Perez - MPerez - SP 9/3/77
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