quinta-feira, 24 de abril de 2014

ESTÁBULO



O ESTRANHO ANIMAL

O ESTRANHO ANIMAL
(visão alucinatória)

Olhos míopes
verdes
unhas chatas
cabelo crespo ralo
era bizarro
Chegou
falou
desmontou-se
jogou xadrez
ganhou
recolheu-se e sumiu
voltou
fez cálculos
somou
multiplicou
explorou
subtraiu-se
e traiu
Deixou um saldo
era todo charme
fez jogo raro
dizia-se doido
transpirou pecado
soltou pelos caros
curou-se
fugiu
era um gato
Marlene Vieira Perez - Mperez - Década de 80

COLETA PRO FUTURO

             COLETA PRO FUTURO

A minha barriga deve ser magra
                            fofa
                            como uma bolha
                            oca
A do meu filho-aluno-vizinho-também
O meu olho deve ser gordo para aquecer
                            suprir a falta da estufa
                            passear pelas ruas
                            recolher num olhar
todos os esqueletos públicos
   famintos
   do lixo atrofiado
                           de pernas abertas
                           em simbiose
                           espermas e óvulos
O meu olhar deve engravidar desgraças
                            parir esperanças desenganadas
                                             vingadas
      todos os dias
Marlene Vieira Perez - MPerez

sexta-feira, 18 de abril de 2014

LOUCA-MENTE

                                        
                                    LOUCA-MENTE


Louco,
adoro ser-te por-certo
és-me
       cura minha Lou
       a-ventura bélica
       afronta do pateta
                   cego de-certo

Linha in-variante
           vária
       de baralho raro
            uma só cara
       aberta de variáveis

Elevada profunda
            loucura
de qualquer máscara
             desmascara
             de cara

Bendita descoberta
Projeto em-bala-do
                   grávido poeta
                             em explosões
                             de acessos

Elétrica tempestade magnética
aonde escondes
a louca busca
         rogada
         de surpresa
         acha em chamas

Num lapso de tempo
deixas-me
em-penas-me
não me pertences?

Enganada loucamente
              és escrava
              sou o psiquiatra in-verso
                tu a paciente versa-til
              sobre ventri-lo-u-co
              só-mente-mentirinha
preciosa escondida
           no meu templo
           reinas num cantinho

Eu? Governo
        livre
        sou difícil faísca
        o astro apagado
        a presa fácil lunática
             iluminada
        devasso selvagem
        lírico foguete
        o astro a comando nauta
                   dá à louca de rápido
        assalto
        o lúcido momento único
da fera-minha-bela

Certa loucurinha do universo
       loucura grande dos meus versos
       in-certos
       eu te amo certa-mente

       sossega.

Marlene Vieira Perez - MPerez / Década de 80.

Poema de Amor



terça-feira, 15 de abril de 2014

Dama da noite



INDULTO

                                 


Deixa a turma ir pra casa
entrega a arma
afinal quem gosta de mãe é bandido
título do meu último livro
e nós se vira bicho
com aquele machado
atrás da porta
e Jesus Cristo
do Roberto Carlos, é claro
melhor não perder tempo
e entregar o IR
a corda arrebenta
cuidado vai
vai lá comprar
aquele chocolate barato
e te coçar como um rato
pô esta vai
já foi
pro leite da criança
dos meus poemas clássicos


Marlene Vieira Perez - MPerez - 05/05/2011